Cuido da pessoa que adoece, não dos seus diagnósticos
Médica há vinte e dois anos, sempre em busca de compreender o ser humano inteiro.
Sou médica há vinte e dois anos. E por muito tempo, fui uma médica muito boa — no sentido mais convencional da palavra.
Fiz residência em Dermatologia. Aprendi nas minúcias: os diagnósticos, os protocolos, as condutas. Me dediquei com seriedade, conquistei o título de especialista, estudei muito. E ainda assim, algo não fechava.
Fazia diagnósticos excelentes. Aplicava os melhores protocolos. E o paciente não melhorava — ou melhorava por um tempo, e logo voltava. Precisava de corticoides cada vez mais potentes, de medicações cada vez mais pesadas. Para alguns diagnósticos, não havia sequer um caminho claro. A dermatologia, que eu tanto amava, foi ficando pequena para o que eu precisava entender.
Porque o que eu precisava entender era o ser humano. Não somente a pele.
A pele foi minha porta de entrada — e também minha primeira grande lição: ela fala. Tudo o que não é dito, sentido ou resolvido encontra um jeito de aparecer na superfície. Nosso corpo sempre está em busca de se expressar, através de sintomas.
A jornada integrativa
Foi então que me debrucei sobre a homeopatia — uma sementinha plantada ainda na faculdade. E me encantei. Pela primeira vez, eu podia cuidar do paciente inteiro: a dor de cabeça, o sono, a pressão, as alergias, os sintomas emocionais, a pele. Não apenas a ponta do iceberg (o sintoma) — mas do que estava embaixo.
Depois aprofundei meu estudo na psicossomática — e em como o corpo e a história de vida se comunicam. Os sintomas têm uma origem, uma lógica, um contexto. Muitas vezes há um conflito, uma vulnerabilidade, uma história por trás. Perceber isso ampliou completamente meu modo de perguntar e de ouvir na consulta — e é o primeiro passo para um cuidado real.
E então conheci as Constelações Familiares. E me apaixonei. Porque percebi que muitos dos padrões que vejo nos pacientes — e que a genética tão bem documenta — são, na verdade, lealdades ocultas. Vínculos com histórias que não são suas, mas que o corpo carrega como se fossem. As Constelações Familiares, desenvolvidas por Bert Hellinger, trouxeram uma lente sistêmica que integro ao meu cuidado clínico.
Além da medicina
Minha curiosidade, porém, nunca se limitou à medicina. Estudo filosofia e sou membra da Nova Acrópole — porque acredito que compreender o ser humano exige mais do que os livros de clínica.
O Eneagrama e os estudos de Wilhelm Reich sobre estrutura de caráter me ajudam a compreender padrões de personalidade. E a Programação Neurolinguística a ver através de outro prisma, como a mente e o corpo se relacionam. São saberes que carrego como lentes — e que tornam meu olhar e minha atuação mais assertivos.
Ensinar o que amo
A medicina que vivo também ensino. Sou docente do curso de pós-graduação em Homeopatia e Homeopatia Aplicada na Prática Pediátrica da Plenitude Educação — online, para alunos de todo o Brasil — e preceptora de Homeopatia para estudantes de medicina da Universidade Anhembi Morumbi, em ambulatório escola em São José dos Campos.
Ensino porque amo a homeopatia — e porque quero que outros médicos e futuros médicos descubram que há mais possibilidades na medicina do que os protocolos ensinam. Que é possível fazer o atendimento dos sonhos. Cuidar por inteiro. Ver resultados onde havia pouca expectativa. A homeopatia me realizou completamente como profissional — e quero dar a outros médicos a oportunidade de vivenciar isso também.
Hoje meu olhar é amplo. Além do horizonte.
Cuido da pessoa que adoece — não dos seus diagnósticos. Cuido do sofrer, do sentir, dos padrões que se repetem. Acompanho famílias por anos, às vezes por gerações — com suas histórias, seus louros e seus sofreres. Uso medicações convencionais quando o quadro as indica — sem excesso, sem ideologia. E quando necessário, trabalho em conjunto com psicólogos e outros terapeutas, porque cuidar de alguém de verdade raramente cabe em uma única especialidade.
De onde vim
Sou filha de argentinos, neta de espanhóis e italianos. A primeira da minha família a ter um curso superior. Cresci sabendo o que é não se sentir completamente em casa — essa sensação de estar à margem, de pertencer e não pertencer ao mesmo tempo, que muitos filhos de estrangeiros conhecem bem.
Passei por dificuldades. Materiais e emocionais. Aprendi cedo o valor da família, das relações, das conquistas que custam. Fiz faculdade de medicina em universidade pública — porque não havia outra possibilidade. E não desisti.
Esse não desistir me acompanha até hoje em meus atendimentos. Não desisto dos meus pacientes. Acredito que sempre há um caminho: para cuidar, para melhorar, para olhar de outro ângulo quando o primeiro não basta. A minha história me ensinou que dificuldade não é um ponto final. É apenas algo a ser contornado.
Fora do consultório
E fora do consultório, sou casada e mãe de dois filhos adolescentes — que me ensinam, todos os dias, o que é amar sem condições. Com todos os desafios que isso traz. Sei o que é ser mulher hoje: equilibrar família, profissão e o cuidado de si mesma. Vivo os mesmos conflitos que muitas das mulheres que chegam até mim — e talvez seja por isso que, quando elas falam, eu não apenas escuto. Eu reconheço.
Vim da dermatologia. Mas aprendi que a pele era só o começo.
Quem cuida de pessoas não pode parar de crescer. Por isso, a medicina que pratico está sempre em construção — assim como eu.
Agende sua consulta — online ou presencialmente em Jacareí.
Dra. Gissele Greblo
CRM/SP 141335 · RQE Dermatologia 30036 · RQE Homeopatia 72324
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica. O exercício da medicina pressupõe obrigação de meios, não de resultados.