Psicossomática e medicina do terreno — por que esse órgão, nessa pessoa, agora
O corpo não adoece ao acaso. Há sempre uma história por trás — um contexto, uma vulnerabilidade, um momento. Compreender essa lógica é uma das dimensões mais profundas do cuidado que ofereço.
O que a medicina convencional não pergunta
A medicina convencional explica muito bem como uma doença se desenvolve — os mecanismos fisiopatológicos, a cascata inflamatória, a alteração celular. O que ela raramente investiga é o por que: por que esse órgão, nessa pessoa, naquele momento da vida.
Essa pergunta tem uma longa história na medicina. A psicossomática — campo reconhecido e estudado desde o século XX — se dedica exatamente a isso: compreender a relação entre o que vivemos, o que sentimos e o que o corpo expressa. Não como explicação única, mas como dimensão fundamental de qualquer cuidado que se pretenda integral.
Na medicina convencional, o órgão afetado é o ponto de chegada — aceita-se que ele adoeceu e trata-se o que ali se encontra. No cuidado que ofereço, ele se torna o ponto de partida. Por que esse órgão? Por que agora? Por que nessa pessoa? São perguntas que, aqui, encontram eco — e é esse eco que orienta o cuidado.
O que essa lente revela
A ideia central é que o adoecer não é aleatório. Existe uma lógica por trás de cada sintoma — uma lógica que conecta o contexto vivido pela pessoa, a forma como ela o percebeu e sentiu, e o órgão ou sistema que passou a se expressar de maneira diferente.
A pesquisa em psicossomática, através de várias lentes, como a psiconeuroimunologia, a epigenética e outras, vem confirmando o que a clínica observa há décadas: o ambiente emocional, a história de vida e as vulnerabilidades individuais fazem parte da equação do adoecer. Genes são possibilidades, não certezas — e a mesma exposição não produz o mesmo resultado em pessoas diferentes.
Isso não substitui a medicina convencional. Acrescenta uma dimensão que raramente é perguntada — e que, quando investigada, muda completamente o modo de prescrever e de acompanhar.
Vulnerabilidade e contexto
A psicossomática que pratico investiga o contexto em que o corpo começou a se expressar através de sintomas. Não se trata de causalidade direta ou determinismo — nenhum evento causa uma doença de forma isolada. Trata-se de compreender a vulnerabilidade singular de cada pessoa: sua história, seus vínculos, os momentos que marcaram e que ainda carregam peso.
Algumas vivências que a clínica frequentemente encontra associadas ao adoecer envolvem:
Sentimento de perda de pertencimento — a sensação de não pertencer mais a um espaço: físico, familiar, profissional, afetivo.
Vivência de separação — a perda de contato, real ou simbólica, com alguém ou algo essencial.
Situações de susto ou ameaça súbita — eventos que tiram o chão de forma inesperada e isolante.
Sentimento de desamparo — a vivência de estar só diante de algo que parece impossível de suportar.
O que importa não é a gravidade objetiva do evento — mas como aquela pessoa o percebeu, o viveu, com a sua história, com a sua vulnerabilidade singular.
Como uso esse olhar na consulta
A psicossomática não trata nada por si mesma — e não substitui qualquer cuidado médico necessário. O que faz, dentro da minha prática, é ampliar o olhar: permite escutar o relato do paciente sob outra frequência, identificar o que pode ter precedido o adoecer, e compreender por que aquele órgão, naquele momento, naquela pessoa.
Esse entendimento informa a prescrição homeopática — ajuda a escolher o medicamento não apenas pelo sintoma, mas pelo contexto que o gerou. E se articula com a visão sistêmica quando percebo que esse contexto não pertence apenas àquela pessoa, mas carrega marcas de gerações.
Saio do plano do “é azar” — porque não acredito que o sofrimento seja aleatório. E me afasto do determinismo — porque a genética é uma possibilidade, não uma sentença, e porque por trás da expressão dos sintomas há sempre algo que pode ser investigado, compreendido e cuidado.
Utilizo a psicossomática como ferramenta de compreensão clínica — uma lente que amplia o olhar sobre o adoecer, sempre integrada à medicina e ao tratamento homeopático individualizado. Nunca como substituto de cuidados médicos necessários.
Minha formação nessa área
Aprofundei-me no estudo da psicossomática e da medicina do terreno — buscando compreender por que aquela pessoa, naquele momento, começou a adoecer. Esse percurso se iniciou de forma autodidata e se aprofundou com cursos livres nesse campo, integrando conhecimentos de psiconeuroimunologia, embriologia e filogênese à prática clínica.
Se o seu corpo fala, eu quero entender o que ele diz.
Este conteúdo tem caráter educativo e informativo. Nenhuma informação aqui substitui uma consulta médica individualizada.
Dra. Gissele Greblo
CRM/SP 141335 · RQE Dermatologia 30036 · RQE Homeopatia 72324