Quando um bebê nasce, ele traz consigo algo que a medicina convencional raramente nomeia: uma força vital. Uma vitalidade que é só dele, moldada por tudo que veio antes — a gestação, o parto, a história da mãe, o ambiente em que esse pequeno ser chegou ao mundo.

Essa força pode ser preservada, nutrida, apoiada. Ou pode ser silenciada, desgastada, suprimida ao longo dos anos — às vezes sem que ninguém perceba, porque tudo parece “normal”.

No sexto episódio do Pense Homeopatia — Conversas com propósito de curar, conversei com o Dr. Bruno Shoiti Maehara — pediatra, neonatologista, homeopata e pai de três meninas — sobre o que significa, de verdade, cuidar da infância. E sobre como a homeopatia pode ser um caminho para que cada criança chegue à vida adulta com tudo que sempre foi capaz de ser.

O que é comum não é necessariamente saudável

O Bruno usa uma palavra que ficou na minha cabeça: normose. Ele a utiliza para descrever aquilo que se tornou tão frequente que passamos a chamar de normal — mas que não é.

Uma criança que não dorme bem. Que come pouco ou tem o apetite sempre difícil. Que tem o intestino preso, a barriga sensível, as infecções respiratórias que voltam mês após mês. Que vive agitada, irritada, com uma ansiedade que não cabe no corpinho.

Tudo isso, muitas vezes, não gera um diagnóstico — porque não chega ao limiar de uma doença classificável. Então a família ouve: “é normal para a idade”, “vai passar”, “é assim mesmo”.

Mas será que é?

Uma criança que apresenta dez infecções respiratórias por ano não está doente de uma forma grave. Mas também não está bem. Algo nessa vitalidade está pedindo atenção — e a homeopatia é uma das linguagens capazes de ouvir esse pedido antes que ele precise gritar.

A força vital da criança: o que a homeopatia enxerga

Cada criança nasce com uma vitalidade que é singular. Não existe um padrão único — existe aquela criança, com aquela história, aquela constituição, aquela forma de reagir ao mundo.

A homeopatia parte justamente desse ponto. Não pergunta primeiro “qual é o diagnóstico”. Pergunta quem é essa criança. Como ela dorme, como ela come, como ela sente frio, como ela reage quando está com medo. Que tipo de infecção ela tem, como ela evolui, o que piora, o que melhora.

Essa escuta não é curiosidade clínica. É a matéria-prima de uma prescrição que precisa encontrar a pessoa — não a doença.

E quando essa prescrição acerta, algo começa a mudar não apenas no sintoma, mas na criança como um todo. Ela dorme melhor. Come com mais interesse. Resfria menos — e quando resfria, evolui com mais tranquilidade. As crises de asma ficam mais espaçadas. A dermatite diminui de intensidade. A agitação se organiza.

Isso não é promessa. É o que estudos na área sugerem e o que muitas famílias relatam ao longo do acompanhamento — com a clareza de que cada caso é único e os resultados variam conforme a individualidade de cada criança.

Como a gestação e o parto já influenciam a saúde da criança

Um dos momentos mais bonitos da nossa conversa foi quando o Bruno falou sobre o que ele vê na UTI neonatal — e como aquilo mudou a forma com que ele enxerga cada bebê que chega.

A saúde da mãe antes da concepção importa. Os medicamentos usados durante a gestação importam. As emoções vividas nesse período — as perdas, os medos, os conflitos — também deixam marcas. E o próprio parto, com suas circunstâncias, molda esse ser que está chegando ao mundo.

Um bebê nascido de parto vaginal, que passou pelo trabalho de parto e pelo canal de parto, experimenta um processo que tem função: preparar o sistema respiratório, ativar o sistema imunológico, iniciar uma série de adaptações que o corpo foi construído para fazer.

Um bebê nascido de cesárea eletiva, antes que esse processo se complete, pode ter mais dificuldade nessa transição — e isso não é julgamento de nenhuma escolha obstétrica, mas um dado que merece atenção no acompanhamento.

A história começa antes do nascimento. E o olhar homeopático, que inclui esse antes, permite um cuidado que poucos modelos oferecem.

O bebê que não dormiu, a criança que não come, o adolescente que não se reconhece

Existe uma linha que vai do bebê que nunca dormiu bem até o adolescente que não se reconhece no próprio corpo. Ela não é sempre visível, mas ela existe.

Quando uma criança pequena dorme mal, come pouco, tem cólicas que não passam — e isso se estende por meses — há algo na vitalidade dela que está pedindo reorganização. Às vezes, orientações sobre rotina e amamentação resolvem. Mas há casos em que a família faz tudo certo, e ainda assim aquela criança não encontra o ritmo.

A homeopatia, nesses casos, pode ser um ponto de apoio. Não para suprimir o sintoma, mas para ajudar a criança a se organizar a partir de dentro.

Na adolescência, essa continuidade importa ainda mais. Tendências emocionais que não foram acolhidas na infância — ansiedade, medo, dificuldade de lidar com frustrações, sensibilidade intensa — chegam à adolescência com mais força. E uma adolescência sobrecarregada pode desenhar um adulto que carrega mais do que precisaria.

O Bruno compartilhou algo da própria história: criança com quadro atópico — dermatite, asma, rinite — acompanhada com homeopatia durante toda a infância e adolescência. Nunca precisou internar. Nunca teve uma crise grave. E quando, na faculdade, deixou de usar a homeopatia e passou a depender de antibióticos e corticoides, percebeu que sua saúde piorou.

Não é anedota. É uma experiência pessoal que ressoa com o que a clínica mostra: quando o cuidado é apenas do sintoma, sem atenção ao que o gerou, o processo tende a se prolongar. A homeopatia, nesse contexto, pode oferecer uma camada complementar de cuidado.

A criança não adoece sozinha — a família entra na consulta também

Uma criança que adoece repetidamente não é apenas uma criança com o sistema imunológico fraco. É uma criança inserida numa história — numa família, num contexto emocional, numa dinâmica que tem peso.

Por isso, quando atendo crianças, a consulta começa pelos pais. Pela gestação. Pelo nascimento. Pelas relações. Pelo clima emocional em que esse ser está crescendo.

Não porque os pais sejam responsáveis pela doença do filho. Mas porque nenhum de nós adoece isolado do campo em que vive. E quando a criança melhora, muitas vezes isso reflete no entorno — na mãe que dorme melhor, no pai que fica menos ansioso, na dinâmica familiar que encontra mais equilíbrio.

O Bruno disse isso com muita clareza: “a gente acaba cuidando da família inteira”. E é verdade. O cuidado da criança raramente é só dela.

Saúde emocional na infância: o que está ficando mais frequente e mais grave

Algo mudou nos consultórios de pediatria nos últimos anos. O Bruno falou sobre isso com uma seriedade que me tocou.

As questões comportamentais e emocionais que chegam à consulta pediátrica estão ficando mais frequentes e mais intensas. Ansiedade que antes era rara hoje é quase o padrão. Dificuldades de sono, de atenção, de regulação emocional — o que antes aparecia pontualmente agora é comum.

E nos casos mais graves, o que se vê nos prontos-socorros pediátricos é algo que assusta quem trabalha nessa área: o aumento de crises de saúde mental em crianças e adolescentes.

A homeopatia não substitui o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário. Mas ela pode ser um suporte valioso — especialmente porque a criança não precisa verbalizar seu sofrimento para ser acolhida pelo remédio homeopático. O medicamento é escolhido com base em sinais que o médico observa e no que os pais relatam: como a criança dorme, como reage ao contato, que tipo de medo ela tem, como seu corpo manifesta o que ela ainda não sabe nomear.

Esse é um diferencial importante. A criança não precisa ter palavras para o que sente. O remédio homeopático pode alcançar o que ainda não tem nome.

Cuidar de crianças com homeopatia: o que isso significa na prática

Ao longo da nossa conversa, uma coisa foi ficando cada vez mais clara: o Bruno não fala de cuidar da infância de fora. Ele fala de dentro — de quem viveu esse cuidado na própria pele, e que um dia decidiu devolvê-lo.

Quando perguntei o que uma criança ganha sendo acompanhada com homeopatia desde pequena, ele respondeu sem hesitar: liberdade. Liberdade para desenvolver as próprias defesas. Liberdade para passar pela febre, pela infecção, pelo crescimento — sem que cada episódio seja abortado antes que o corpo aprenda com ele. Liberdade para chegar à vida adulta com menos acúmulo, com mais vitalidade, com mais potencial de ser quem ela é.

E enquanto ele falava, eu pensava: quem está respondendo isso é a prova viva do que descreve. Uma criança atópica cuidada com homeopatia, que cresceu, foi para a medicina, tornou-se pediatra, neonatologista — e voltou à homeopatia para oferecer às crianças de hoje o que recebeu na infância. O Bruno atingiu o seu mais alto potencial. E foi cuidado desde o início com homeopatia.

Esse é o horizonte que a homeopatia oferece na infância: não só tratar o que aparece, mas preservar o que está ali, esperando se revelar.

Quer preservar a vitalidade do seu filho ou filha desde já?

Conversar com a Dra. Gissele

Quando procurar ajuda

Se você percebe que seu filho ou filha:

  • Resfria com frequência — mais do que cinco ou seis vezes por ano, com dificuldade de recuperação
  • Tem dificuldades persistentes de sono, apetite ou digestão
  • Apresenta alergias ou condições de pele que oscilam muito
  • Está mais ansioso, agitado ou com mudanças de humor que preocupam
  • Usa medicamentos de forma repetida e contínua, sem melhora duradoura

…vale considerar uma avaliação. Não para substituir o pediatra de referência — mas para olhar para essa criança de um outro ângulo, com uma escuta que inclui o que ela ainda não consegue dizer.

Assista ao episódio completo

Se essa conversa tocou em algo que você reconhece na história do seu filho, vale assistir ao episódio completo — o Bruno fala com uma profundidade e uma leveza que o texto não consegue reproduzir na íntegra.

BM
Dr. Bruno Shoiti Maehara

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com Residência Médica em Pediatria e Especialização em Neonatologia, ambas pela FMUSP. Atua em consultório, UTI neonatal e maternidade em São Paulo, e tem formação em homeopatia — uma combinação que orienta um olhar integrativo e aprofundado sobre a saúde da criança. É também especialista no atendimento de famílias vegetarianas e veganas. Instagram: @pediatra_vegano

Este conteúdo tem caráter educativo e informativo. Nenhuma informação aqui substitui uma consulta médica individualizada. Cada criança é única — e o cuidado também precisa ser.