Recentemente, no Pense Homeopatia — Conversas com propósito de cuidar, recebi Tatiana Hartkowtzeff — terapeuta sistêmica e consteladora familiar — para uma conversa sobre um tema que considero profundo e, ao mesmo tempo, muito delicado:

Seu sintoma pode não ter começado em você.

Nota importante

Tatiana Hartkowtzeff atua como terapeuta sistêmica, não como profissional da saúde. As reflexões deste episódio têm caráter filosófico e de autoconhecimento, e não constituem orientação diagnóstica ou terapêutica médica.

A proposta da conversa não foi negar doenças, negar genética ou substituir tratamentos médicos. Muito pelo contrário.

O que buscamos foi ampliar o olhar sobre o adoecimento humano.

Ao longo do episódio, falamos sobre como algumas abordagens integrativas — como a Homeopatia, a visão sistêmica com as constelações familiares, a PNL e a hipnose — procuram olhar além do diagnóstico em si, investigando também a história daquela pessoa, seus vínculos e o contexto em que aquele sintoma surgiu.

O que a visão sistêmica propõe

Tatiana trouxe uma reflexão importante: na visão sistêmica, muitas vezes o sintoma não está ligado apenas ao indivíduo de forma isolada, mas também a dinâmicas familiares inconscientes, vínculos de pertencimento e lealdades invisíveis.

Falamos também sobre genética e epigenética.

Em determinado momento da conversa, comentei que herdamos predisposições genéticas, mas que a expressão desses genes também sofre influência do ambiente, das experiências e da forma como vivemos nossas relações e conflitos.

Ou seja: não se trata de negar a genética, mas de ampliar a compreensão sobre ela.

Pertencimento e padrões que se repetem

Um dos pontos mais interessantes do episódio foi a discussão sobre pertencimento.

Segundo Tatiana, muitas vezes repetimos padrões familiares sem perceber, numa tentativa inconsciente de pertencermos ao sistema familiar. Ela trouxe a ideia de que algumas pessoas acabam carregando dores, destinos ou sofrimentos que não são propriamente seus, mas que são assumidos por amor, lealdade ou identificação com membros da família.

Para ilustrar esse ponto, imagine uma criança que desenvolve gagueira logo após ouvir a mãe contar como seu próprio problema de fala havia começado anos antes. Na visão sistêmica, isso poderia representar uma lealdade inconsciente — como se a criança dissesse, sem palavras: “mamãe, eu também carrego isso com você.”

Já na Homeopatia, esse tipo de manifestação é visto de forma bastante individualizada. Não se olha apenas para o sintoma “gagueira”, mas para a maneira singular como aquela criança manifestou aquele sintoma — que, naquele contexto, foi compreendido como uma gagueira compassiva.

O lugar dentro do sistema familiar

Outro exemplo que discutimos: imagine um jovem que apresenta sintomas recorrentes sempre no período das festas de final de ano, época em que retorna para reencontrar a família e o pai, que carrega profundamente a ausência de um irmão falecido. Na leitura sistêmica, conversamos sobre a possibilidade de o filho tentar, inconscientemente, aliviar a dor do pai — ocupando um lugar que não lhe pertence.

E aqui entramos em um tema central do episódio: o lugar dentro do sistema familiar.

Tatiana explicou algo muito importante: muitas vezes adoecemos quando saímos do nosso lugar. Quando o filho tenta ocupar o lugar de parceiro emocional dos pais. Quando tenta aliviar dores que pertencem à geração anterior. Quando carrega pesos que não correspondem à sua posição dentro da família.

As “frases de alma” nas constelações familiares

Falamos então sobre as chamadas “frases de cura” ou “frases de alma”, utilizadas nas constelações familiares para reorganizar simbolicamente pertencimento, hierarquia e vínculos. Algo como:

“Pai, eu vejo a sua dor, mas eu sou apenas o filho.”

“Eu pertenço, mas no meu lugar.”

Essas frases não são prescrições terapêuticas. São convites simbólicos à reorganização de algo que, na linguagem sistêmica, ficou fora do lugar.

O que isso tem a ver com o cuidado

Talvez um dos pontos mais importantes da nossa conversa tenha sido justamente este: olhar para o sintoma não significa desejar permanecer doente.

Também não significa abandonar tratamentos médicos.

Significa apenas considerar que talvez exista uma história por trás daquele adoecimento que ainda não foi compreendida.

No final do episódio, Tatiana deixou uma reflexão muito bonita: talvez o corpo não esteja adoecendo “apenas por adoecer”. Talvez ele esteja tentando contar uma história que ainda não conseguimos compreender conscientemente.

Ampliar o olhar é, em si, uma forma de cuidar.

Talvez seja esse o convite mais importante dessa conversa: olhar para si mesmo com mais presença, perceber padrões, emoções, relações e histórias que muitas vezes passam despercebidas no dia a dia.

Se esse tema fez sentido para você, continue explorando. Leia outros artigos aqui no blog e acompanhe os próximos episódios do Pense Homeopatia — Conversas com propósito de cuidar.

Quem sabe alguma dessas reflexões também ajude você a compreender melhor a sua própria história.

Assista ao episódio completo

Se esse tema tocou algo em você, a conversa na íntegra está disponível no YouTube.

TH
Tatiana Hartkowtzeff

Terapeuta sistêmica, consteladora familiar e mentora comportamental. Acompanha pessoas e organizações em processos de autoconhecimento, vínculos e transformação a partir da abordagem sistêmica. Instagram: @tatihartkowtzeff

Este conteúdo tem caráter educativo e informativo. Nenhuma informação aqui substitui uma consulta médica individualizada. Cada pessoa é única — e o cuidado também precisa ser.